Voluntárias relatam trabalho evangelístico em Santa Maria (RS)




A pastora Margareth Vieira Silva juntamente a jovem Jéssica Evely foram ao início dessa semana para a cidade de Santa Maria, auxiliar famílias e amigos que perderam entes queridos durante o incêndio da boate Kiss. Confira o relato escrito por Jéssica sobre sua participação no local.
“Nada nos preparou para o que veríamos em Santa Maria. Após 15 horas de viagem, encontramos o casal da ADHONEP, Dilson e Fátima, dispostos a nos receberem e ajudar. Eles nos levaram direto ao hospital Caridade, onde muitas vítimas do incêndio recebiam tratamento. No caminho nos deparamos com uma cidade inteira em luto. As pessoas sequer buzinavam, e as poucas pessoas nas calçadas pareciam sussurrar, mas prontas a receber quem chegava para ajudar. Ao chegar ao hospital, nos encontramos com duas mulheres designadas pelo Ministro da Saúde para organizarem o esquema de suporte às famílias.
Após aquele primeiro contato, recebemos ligações de famílias, que de alguma forma souberam que estaríamos na cidade, pedindo que fôssemos até suas casas confortá-los. Um rapaz veio ate mim e disse que uma mãe, que havia perdido o filho, queria muito conversar comigo. Quando ela me recebeu, percebi a dor e os questionamentos em seus olhos e ao abraçá-la, em silêncio, compartilhei da sua dor. Ouvi por muitos minutos como era especial o filho daquela mulher e como ele havia dito que a amava antes de partir para a boate. A filha e o filho dela estavam na festa, e o filho saiu bem no começo do incêndio e se certificou que sua irmã estava a salvo e voltou para salvar os amigos, após tirar inúmeras pessoas, ele foi intoxicado e morreu. Um verdadeiro herói que deu sua vida pelos seus amigos.
Depois de ouvir toda essa história, ela fez a seguinte pergunta: “Jéssica, onde estava Deus na hora da morte do meu filho?”. E pude dizer para aquela mãe que a promessa de Deus para nossas vidas nunca foi nos poupar de dores e tragédias, mas de que, quando essas coisas nos atingissem, Ele estaria do nosso lado nos sustentando e consolando. Passamos muito tempo ali, e pudemos ver Deus nos usando para trazer conforto àquela família.
Na manhã do segundo dia em Santa Maria, fomos até o local do acidente, Boate Kiss, e pudemos ver a destruição do local. Havia tantas fotos de jovens que se foram cedo demais. Encontramos então, uma senhora que pediu que visitássemos seus amigos; a mãe desesperada, que não parava de dizer que sua vida já não tinha mais valor. Ligamos para ela e oferecemos apoio.  Chegando a casa, eles estavam à porta nos esperando e ao olharmos para aquela mãe que quase não se aguentava de pé, pensei: “Meu Deus, quanta dor!” Ao entrar naquela casa, vimos o quanto toda aquela família estava abalada, a mãe chorava copiosamente e dizia que não queria mais viver, que nada mais importava, a filha era a razão de sua vida; ela questionava todo tempo, por que Deus havia deixado uma jovem com tantos sonhos, morrer tão cedo e tragicamente.
A pastora Margareth pode compartilhar com essa mãe sua própria experiência de luto, pois teve seu filho assassinado em maio de 2012, enquanto estava ausente do país. Toda sua experiência de dor foi transformada em um testemunho e inspiração para aquela mãe. Deus usou a vida da Pra. Margareth para trazer esperança a família.  Ensinamos que chorar lhes faria bem, afinal no luto, existem etapas e elas precisam ser respeitadas para que haja melhora. Aquela família buscava desesperadamente o bálsamo e apoio para toda aquela dor, e pudemos sair dali sabendo que foi possível ver a fé e a esperança retornar para aqueles corações.
Retornamos então, ao local do incêndio, Boate Kiss, e encontramos dezenas de pessoas expressando sua dor e revolta. Conhecemos outra família que também perdeu um filho e não se conformava com isso. Eles nos mostraram quão deformado aquele lindo rapaz de olhos azuis e cabelos loiros havia ficado.
Tivemos também a oportunidade de ouvir um senhor falar a respeito dos rapazes da banda que tocavam na hora o incêndio. E aqueles garotos, que antes, para nós, não tinham nome nem rosto, nos foram “apresentados” como meninos de boas famílias, filhos, irmãos, namorados que agora sofriam o peso e as consequências de uma fatalidade. Algo jamais premeditado, ou sequer imaginado. Inúmeras coincidências ruins, uma sequência de erros em vários aspectos e com diferentes responsáveis, que custou a vida de tantos inocentes.
Continuem orando por essa cidade. Muitos ainda estão internados e cerca de 40 pessoas correm risco de morte. Recebemos notícias de um pai que se suicidou após perder duas filhas e de outros pais que também já haviam tentado suicídio. Precisamos repreender todo espírito de morte desse local, e buscar fortalecer aqueles que de alguma forma foram afetados com essa tragédia.”
 ::Jessica Verly

Fonte: http://www.lagoinha.com/?post_type=ibl_vidacrista&p=26502&preview=true




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