Globo 50 anos: A força e polêmicas do jornalismo global


Além da teledramaturgia, o jornalismo é mais um importante pilar da rede, que exerceu grande contribuição para a conquista e continuidade de sua liderança.


O setor sempre foi visto de forma estratégica - e ao mesmo tempo polêmico e alvo de questionamentos frequentes quanto à credibilidade, veracidade e até mesmo de acusações.

O jornalismo, em sua origem, pode ser classificado como uma atividade de informar, de levar a informação ao público independente da plataforma ou pelo meio o qual esta será consumida. Emissoras de TV, seja qual for seu porte, são comerciais e a mistura de interesses sempre foi questionada - algo que na Globo acontece de forma ainda mais nítida levando em conta seu porte e a sua liderança.

Às vésperas de completar 50 anos, a Globo teve seu primeiro grande case na área de jornalismo com menos de um ano de existência. Em janeiro de 1966, o Rio de Janeiro foi castigado com uma das maiores chuvas da história. Ao longo de cinco dias, rios transbordaram e o caos se instaurou por praticamente toda a cidade. O saldo foi de mais de 50 mil desabrigados e cerca de 200 mortos.

A Globo mobilizou todo seu jornalismo - e inclusive outras áreas - para uma grande cobertura. Imagens eram captadas pela cidade e levadas à emissora pelos motoqueiros, sendo exibidas em pouquíssimo tempo. A própria Globo chegou a ser inundada e seus estúdios tiveram que ser reformados após as chuvas.

Também foi feita uma grande campanha para mobilizar doações aos desabrigados ou pessoas que, de alguma forma, tiveram suas vidas impactadas pela chuva. Tal ação foi uma das que fez com que a Globo conquistasse a simpatia do telespectador carioca.

Os primeiros anos da Globo tiveram o “Tele Globo” como principal informativo. Hilton Gomes foi um dos seus principais nomes - e que viria a comandar o “Jornal Nacional”, que estreou em 1969, ao lado de Cid Moreira.

“Jornal Nacional”

O “Jornal Nacional” é o noticiário mais longevo da história da Globo. No ar desde setembro de 1969, passou por diversos apresentadores, produtores e editores, assim como também por horários. Atualmente, o noticiário vai ao ar às 20h30, mas em seus primórdios começava às 19h45.


Glória Maria, Sérgio Chapelin, Lilian Wite Fibe, Alice-Maria, Celso Freitas, Armando Nogueira, William Bonner, Fátima Bernardes, Patrícia Poeta e Renata Vasconcellos são apenas alguns dos nomes que marcaram na história do “Jornal Nacional”, que não demorou para se tornar o principal noticiário do país.

Devido à alta audiência, ao fato de estar em um dos horários em que mais há telespectadores à frente da TV e por também ser um produto da TV Globo, o “JN” mobilizou o país com diversas coberturas e chegou até mesmo a mudar os rumos da opinião pública - o que sempre foi alvo de questionamento por diversas alas da sociedade.


As Diretas Já, a cobertura das polêmicas Eleições de 1989, o impeachment de Fernando Collor, a violência policial na Favela Naval, em Diadema, o 11 de Setembro, e outros casos que chocaram o país também coincidem com a história do “Jornal Nacional”.

Outras coberturas de impacto podem ser exemplificadas como o assassinato do casal Richthofen, da garota Eloá, de um dos maiores desastres climáticos da história do Rio - em 2011, a tragédia da escola de Realengo - no mesmo ano, e o incêndio na Boate Kiss.

Outros noticiários:

Com intuito de valorizar a programação local, como também atender à demanda do telespectador por notícias em diferentes faixas do dia, a Globo criou dois jornais pela manhã, dois na faixa da tarde e outros dois - que já chegaram a ser três - noticiários à noite.


Desde o fim dos anos 70, o canal tem o “Bom Dia São Paulo”, com as informações para o telespectador paulista. As últimas informações da madrugada e o que seria mais importante no dia é o mote que justificou a sua criação e garante sua permanência. Tal modelo foi replicado por todo o Brasil. Já no começo dos anos 80, a Globo lança o “Bom Dia Brasil” com a mesmo estilo - ainda que menos voltado à prestação de serviço, afinal trata-se de um noticiário nacional.

Ambos tiveram vários apresentadores, formatos e tempos de duração. O “Bom Dia” atualmente é o jornal mais longo da Globo e tem 1h30 de duração.

Na faixa do meio-dia, a Globo criou no começo dos anos 80 o “SPTV”, fruto do modelo “Praça TV”, com edições ao meio-dia e entre a primeira e a segunda novela - o que nos tempos atuais remetem ao horário próximo das 19h10. Um pouco mais tarde, tem-se o “Jornal Hoje”, na faixa das 13h, lançado em 1971. A grade jornalística é encerrada com o “Jornal da Globo”, criado no fim dos anos 60.

A Globo também teve outros modelos de noticiário, como o “Globo Rural” até 2014, com exibição entre domingo e sexta-feira. As edições diárias foram extintas no fim do ano passado e foram mantidas apenas as de domingo. Segmentado para a área do campo, a marca do “Globo Rural” já existe há 35 anos.

Vale lembrar que no fim de 2014, a Globo teve um outro importante marco em seus noticiários. Após 31 anos, a rede voltou a lançar um novo telejornal: o “Hora Um da Notícia”. O último lançamento havia sido em 1983, com o “Bom Dia Brasil” e “SPTV”. Comandado por Monalisa Perrone, o jornal veio para atender à demanda do brasileiro, que acorda cada vez mais cedo e que vinha se informando na concorrência - já que o “Bom Dia” local só começava às 6h30.

Jornalísticos semanais:

A Globo conta com dois jornalísticos semanais sólidos em sua grade de programação: o “Fantástico” e o “Globo Repórter”. Ainda que haja outros que sejam feitos pelo núcleo de jornalismo, como o “Profissão Repórter” ou “Globo Mar”, tais produtos têm o esquema de temporada.

O “Fantástico” foi criado em 1973. Seu formato era de uma revista eletrônica semanal, apostando em grandes reportagens, em investigações, no factual como também no entretenimento e humor, com quadros e esquetes dentro da sua edição.


Mais de 35 profissionais já passaram pela apresentação do “Fantástico”, como Patrícia Poeta, Zeca Camargo, Glória Maria, Chico Pinheiro, dentre outros. Já os que tiveram quadros ou qualquer tipo de participação no “Show da Vida" são incontáveis, afinal tal time também é composto por participações especiais de gente que não necessariamente teria vínculo com a Globo, como o “Medida Certa”, que teve César Menotti, Gaby Amarantos, Fábio Porchat e Preta Gil no elenco.

Já o “Globo Repórter”, de 1973, foi formatado para ser um documentário especial. A inspiração no “60 Minutes”, da CBS, é notória. Ainda que em seu decorrer o formato tenha sido alterado diversas vezes, seu conceito sempre foi relacionado às grandes reportagens.

O “Globo Repórter” também é um dos poucos programas da Globo a abrir espaço para participação integral das afiliadas, como ocorreu com a RBS, EPTV, TV Gazeta e RPC, dentre outras, nos últimos anos.

Polêmicas:

Tornou-se ainda mais nítido nos anos 80, década em que a Ditadura perdeu força até ser extinta por completo, o questionamento à credibilidade do jornalismo da Globo. Eram fortes as associações feitas pela sociedade ao canal e aos militares.

Manifestações ocorriam por todo o Brasil pedindo pelo voto direto, porém a cobertura da Globo não estava à altura da proporção que a causa exigia. Havia cobertura nos jornais locais, mas Roberto Marinho vetou que noticiários de rede abordassem a ida do povo às ruas.

A Globo se defendeu alegando que na época era muito forte a pressão de ministros e generais. O governo militar exigia que a emissora ignorasse as manifestações sob pena de cancelamento da concessão.

Outro fato que, de certa forma, também abalou a credibilidade da Globo foi o debate entre Collor e Lula na primeira eleição presidencial de voto direto após 29 anos. A emissora foi acusada de favorecer Collor e uma ação chegou a ser movida no TSE, o Tribunal Superior Eleitoral. A revolta havia sido tamanha que atores da Globo chegaram a se unir a demais manifestantes em um protesto realizado na frente da sede da TV.

Desde lá, a Globo mudou a forma de produção e exibição de debates eleitorais, eliminando qualquer possibilidade de edição no reaproveitamento do conteúdo nos noticiários.

Vinheta da Globo:

A prioridade dada pela Globo ao jornalismo também se tornou uma marca reconhecida por todo o Brasil. O núcleo de jornalismo do canal é o único que tem o poder de interromper qualquer programação que seja com o informe de notícias de última hora e de grande relevância, independente se no Brasil ou no exterior.



O “Plantão da Globo” começou a ser veiculado nos anos 80 e sua trilha impactante, criada pelo compositor João Nabuco, é conhecida por todos. Independente do lugar ou da aprovação ou rejeição do público à Globo, quando o instrumental começa a tocar, todos param e dirigem os olhos à TV.

Como o senso de urgência sempre foi respeitado – notícias de menor relevância entravam nos intervalos comerciais ou nos boletins dos próximos jornais -, o “Plantão” continua forte até hoje.

Caso Tim Lopes:

O jornalismo da Globo sempre teve um viés investigativo muito forte. A busca por exclusivas, por gravações ou por informações, as quais possam de fato mudar a vida das pessoas se abordadas por um veículo como a Globo, acabou por tirar a vida de Tim Lopes, um de seus repórteres mais experientes, no ano de 2002.


Tim, à época com 51 anos, era da mesma escola de outros repórteres como Marcelo Rezende e Roberto Cabrini, que também fizeram carreira na Globo. Em 2002, Tim atravessava um dos melhores momentos de sua carreira, afinal havia se tornado ainda mais conhecido devido ao Prêmio Esso que conquistou pela reportagem “A Feira das Drogas” em 2001. A matéria mostrou os bastidores da venda livre de drogas no Complexo do Alemão.

Em junho de 2002, Tim Lopes ingressou no Complexo do Alemão, uma das comunidades mais violentas do Rio de Janeiro - mesmo após a pacificação, ocorrida em 2010. Munido com uma microcâmera, o repórter tinha o objetivo de gravar as imagens de um baile funk, que era promovido por traficantes. Seu intuito era também averiguar as denúncias de exploração sexual de adolescente.

O que aconteceu, de fato, até a morte de Tim Lopes jamais pode ser esclarecido com plena convicção. Ele desapareceu. As mais diversas hipóteses foram levantadas na época - como o fato da possibilidade de Tim ter sido confundido com um policial ou informante da polícia. Também cogitou-se que ele tenha sido reconhecido como repórter da Globo.

Independente da versão, o que se sabe é que ele foi assassinado a mando de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco. Seu corpo teria sido esquartejado e queimado.

Por João Gabriel Batista
Fonte: Natelinha

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Luto: "Biel voltou para casa, voltou para o céu!"

Testemunho de cura: MATHEUS PIVATO - 4 ANOS - O SUPERMAN!

Vídeo em homenagem ao meu cunhado Roberto