Globo 50 anos: A história da teledramaturgia global


A primeira novela das seis foi “Meu Pedacinho de Chão”, de Benedito Ruy Barbosa, a qual teve um remake feito também pelo autor no ano passado. Sua estreia ocorreu em agosto de 1971. A produção foi feita de forma bastante artesanal - as imagens sequer eram coloridas -. As gravações ocorriam no Rio, e não em São Paulo como atualmente. A exibição era feita de forma simultânea com a TV Cultura, porém em dois horários diferentes.

Com “Meu Pedacinho de Chão”, a faixa das 18h já começava a ser formatada: um horário destinado às tramas mais simples, com apostas em romances e responsável pela transição das donas de casa e crianças para o público que gradativamente chegava do trabalho e ligava a TV.

Ao longo de 44 anos de “novela das seis”, houve uma sequência de produções inesquecíveis e grandes talentos revelados, tanto na frente como atrás das câmeras.

Em 1975, por exemplo, Gilberto Braga, hoje autor de “Babilônia”, estreava “Senhora”, novela dirigida pelo já falecido Herval Rossano e de supervisão de Daniel Filho, que até hoje é um dos nomes mais importantes dos bastidores da TV. “Senhora” também foi um marco na Globo por ter sido a primeira novela das 18h em cores.


Gilberto, por sua vez, também voltou a marcar história com “Escrava Isaura” (1976), adaptação do livro de Bernardo Guimarães. “Isaura” teve Lucélia Santos como protagonista e até hoje a atriz é lembrada por sua personagem. A trama foi uma das mais exportadas da história da Globo, o que também fez com que seus atores fossem conhecidos mundialmente. Ganharam ainda mais espaço na dramaturgia Rubens de Falco, intérprete do Leôncio - que em 2004 fez parte do remake feito pela Record dando vida ao pai de Leôncio, agora na pele de Leopoldo Pacheco -, Edwin Luisi, Roberto Pirillo, Norma Blum, dentre outros.

“Dona Xepa”, “Cabocla”, “Ciranda de Pedra”, “A Gata Comeu”, “Pão Pão Beijo Beijo” e “Fera Radical” foram outras das novelas das seis de destaque dos anos 70 e 80. Ao longo deste período, a faixa sofre mudanças: a duração das novelas passava a ser cada vez maior. “Fera Radical”, de 1988, por exemplo, foi a primeira das 18h a superar a casa de 200 capítulos. Tal barreira voltou a ser ultrapassada com maior frequência. Para se ter ideia, “Barriga de Aluguel”, de Glória Perez e lançada em 90, chegou a ter 243 capítulos.

Não se pode falar do horário nos anos 90 sem falar de “Felicidade” e “História de Amor”, ambas de Manoel Carlos; de “Mulheres de Areia”, de Ivani Ribeiro; de “Sonho Meu”, de Marcílio Moraes; ou de “Anjo Mau”, de Maria Adelaide Amaral. Até hoje ainda existem algumas associações do público aos personagens desta época.

Nos anos 2000, a faixa das 18h passa por uma importante transição. Novos autores são revelados. Walcyr Carrasco, com passagens pela Manchete e SBT, é contratado e escreve “O Cravo e a Rosa”, um grande sucesso de 2000. O autor rapidamente ganhou força na Globo, tanto que três meses após o término deste folhetim, já estreava outro: “A Padroeira”.


Walcyr Carrasco sem dúvidas foi o nome mais forte do horário nos anos 2000. Além destas duas produções, alcançou grande sucesso com “Chocolate com Pimenta” e “Alma Gêmea” - que chegou a ter audiência equiparada a de uma novela as 21h -. Correndo por fora, também passaram pela faixa nomes como Ana Maria Moretzsohn, autora de “Esplendor”, “Estrela Guia” e “Sabor da Paixão”, e os experientes Walther Negrão, Alcides Nogueira, Ricardo Linhares e Benedito Ruy Barbosa. A década também foi marcada pela revelação de Thelma Guedes e Duca Rachid no remake de “O Profeta” e de Elizabeth Jhin em “Eterna Magia”.

Por fim, nos anos 2010, novos autores são lançados: Lícia Manzo é promovida a autora solo em “A Vida da Gente”, outro grande sucesso de exportação da Globo; João Ximenes Braga e Claudia Lage deixam de ser colaboradores e assinam “Lado a Lado”, e Rui Vilhena, consagrado em Portugal, faz “Boogie Oogie”.

Outro destaque da primeira metade da década é a implantação da produção em HD. “Araguaia”, de 2010 e assinada por Walther Negrão, foi a primeira novela das seis a contar com tal tecnologia - ainda que a mesma já estivesse sendo usada na faixa das 21h desde 2007.


Destacam-se como sucessos recentes “Cordel Encantado”, tanto por sua expressiva audiência como por sua abordagem e direção, “Flor do Caribe”, pelos mesmos motivos. A duração das produções já não chega mais à casa dos 200 capítulos: a novela mais longa desta década foi “Boogie Oogie”, com 185.

Por fim, também é necessário ressaltar o prêmio de “Lado a Lado”, que levou o Emmy de melhor novela - desbancando inclusive “Avenida Brasil”, favorita à estatueta.

Novela das Sete:

A faixa das 19h da Globo teve um período conturbado em seu começo. “Rosinha do Sobrado”, considerada primeira novela, foi lançada às 22h mas mudou para as 19h em seu decorrer. A autoria era de Moyses Weltman e em seu elenco havia nomes como Marilia Pera, Gracindo Jr. , Milton Gonçalves, Suely Franco e Ítalo Rossi.

O molde da faixa das 19h é de uma temática voltada para o humor mas sobretudo com histórias mais consistentes, tendo assim um meio-termo entre o romantismo e serenidade das 18h e as pesadas histórias das 21h.

Vicente Sesso se destacou no horário com novelas como “Minha Doce Namorada” e “Uma Rosa com Amor”. Walther Negrão e Lauro César Muniz também deixaram suas marcas com produções como “O Primeiro Amor” e “Carinhoso” - respectivamente. Janete Clair, à época já consagrada, foi autora de “Bravo!” ao lado de Gilberto Braga.

Os anos 80 talvez tenham sido os de maior sucesso da faixa das 19h. Foi nessa década que foram ao ar “Chega Mais”, “Plumas e Paetês”, “Guerra dos Sexos”, “Ti Ti Ti”, “Sassaricando”, “Brega e Chique”, “Top Model”, dentre outras que até hoje são lembradas pelo público. Nesta década, autores como Carlos Lombardi e Antonio Calmon começaram a ganhar espaço.

Nos anos 90, a faixa das 19h teve outros sucessos, mas com destaque especial para “A Viagem” e “Quatro por Quatro”. “A Viagem”, de Ivani Ribeiro, foi uma novela com abordagem espírita e totalmente diferente de “Quatro por Quatro”, de Carlos Lombardi, que apostava no humor.

“A Viagem” foi protagonizada por Christiane Torloni e Antonio Fagundes e ajudou a despertar o interesse do telespectador para a vida além da morte e para temas espíritas - inclusive alavancando as vendas de livros que tratavam do assunto -. Já “Quatro por Quatro” caiu nas graças do público por suas histórias divertidas e despretensiosas. Foram 233 capítulos - uma das mais longas novelas da faixa das 19h -, e que alavancaram a carreira de vários atores. Letícia Spiller, por exemplo, ainda é associada à Babalú.

Na década de 2000, o horário perde força e enfrenta problemas. O avanço dos programas policiais na concorrência, bem como das novelas enlatadas do SBT dificultou o caminho para a Globo. “Um Anjo Caiu do Céu”, de Antonio Calmon, foi um exemplo de trama que não empolgou. “As Filhas da Mãe”, de Silvio de Abreu, menos ainda e “Desejos de Mulher”, de Euclydes Marinho, por pouco não conseguiu ser salva.

Destacam-se como grandes sucessos da década “Uga Uga” e “Kubanacan”, ambas de Lombardi, e “Da Cor do Pecado”, do então novato João Emanuel Carneiro. Mas o horário volta a ficar em baixa com “Começar de Novo”. A concorrência, a partir daí, deixava de ser o SBT e passava a ser a Record, que começou a apostar em novelas nacionais no horário. “A Escrava Isaura” e “Prova de Amor” foram os maiores sucessos da faixa e incomodaram bastante a emissora carioca.

A segunda metade dos anos 2000 teve “Cobras & Lagartos”, novamente de João Emanuel, e “Caras & Bocas”, de Walcyr Carrasco, como grandes sucessos. “Bang Bang” foi a que menos empolgou, afinal teve sua liderança ameaçada por “Prova de Amor”. “Três Irmãs” também fechou em baixa, mas a Record já não representava ameaça. “Beleza Pura” e “Sete Pecados”, por sua vez, não empolgaram mas também não chegaram a alarmar a Globo.

Na década de 2010, assim como fez com os autores da faixa das 18h, a Globo também decidiu dar espaço aos novatos. Bosco Brasil, ex-Record, teve sua primeira oportunidade com “Tempos Modernos” mas acabou não sendo bem sucedido. Ainda que com nomes fortes no elenco, como Antonio Fagundes, e a supervisão inicial de Aguinaldo Silva, a história, considerada extremamente fora da realidade, não cativou.


O quadro foi revertido com o remake de “Ti Ti Ti”, assinado por Maria Adelaide Amaral. Esta também foi a primeira novela das sete exibida em alta definição. “Morde & Assopra”, veiculada na sequência, teve um início difícil mas logo conseguiu se recuperar. O ápice da década ainda estava por vir: “Cheias de Charme”, dos também novatos Filipe Miguez e Izabel de Oliveira.

“Cheias de Charme” foi marcante por vários motivos. Foi uma novela protagonizada por empregadas domésticas, antes vistas como apenas figurantes e que raramente tinham espaço além de uma aparição em meio às refeições dos protagonistas. A interatividade e o uso da segunda tela à favor do folhetim também foram itens que ajudaram a novela a ser bem sucedida. O clipe “Vida de Empreguete”, estrelado pelas protagonistas Isabelle Drummond, Leandra Leal e Taís Araújo, alcançou mais de 11 milhões de visualizações no portal da Globo - algo totalmente fora dos padrões, já que um vídeo extremamente bem visto de “Malhação”, cujo público é o que é mais adepto à internet, conta com 700 mil visualizações.

Após “Cheias de Charme”, a Globo passou a ter dificuldades para emplacar no horário. O remake de “Guerra dos Sexos”, grande sucesso dos anos 80, não agradou. Muito foi alegado na época que o mote da história - a disputa entre homens e mulheres - já era desatualizado e, por mais que pudesse ter feito parte do cotidiano do Brasil na época, já não era mais tão forte ou interessante de ser abordado. “Sangue Bom” teve bons números mas não chegou a ser um grande sucesso. O mesmo ocorre agora com “Alto Astral”, que tem números satisfatórios após duas produções seguidas com baixa audiência: “Além do Horizonte” e “Geração Brasil”.


Por João Gabriel Batista
Fonte: NATELINHA













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