Do luto à luta! - parte 1

Imagem: Internet

Um dos momentos mais difíceis da vida de uma pessoa sem dúvida alguma é a perda de um ente querido, quem nunca passou por isso com certeza irá passar um dia, isso não é negativismo, é uma realidade e por mais duro que seja, é o ciclo da vida: nascer, crescer e em algum momento morrer. E acerca disso existem muitas crenças, ritos, formas de tentar encarar tal fato, mas não quero entrar nesses méritos, a morte entrou no mundo como uma consequência pelo pecado. Esta postagem visa compartilhar uma experiência muito pessoal minha e quem sabe de alguma forma ajudar alguém que já passou, ou está passando pela mesma situação. Sou cristão e creio na vida eterna, creio em Jesus, creio nas promessas, na misericórdia, acredito no céu e no inferno, mas todas as minhas convicções e crenças não foram suficientes para me ajudar quando me deparei diante de uma terrível perda. Falta de fé? Talvez. Pouca fé? Quem sabe? A verdade é que pensei que não suportaria.

Vamos ao inicio de tudo, a primeira experiência que tive com perdas na família foi em 1.996 quando eu tinha entre 7 e 8 anos e vi minha família sofrendo pela doença de um tio muito querido, irmão mais novo do meu pai. Naquela ocasião, tio Jonas lutava contra um terrível e raro câncer no cérebro. Muito novo aos 33 anos veio a falecer por conta desse grave problema de saúde, deixando dois filhos pequenos e sua amada esposa viúva. Desde de muito pequeno sempre fui muito apegado com o elo familiar e a perda do meu tio abalou de crianças a velhos, que viam nele um homem de Deus, iluminado, era muito amado. Aquilo pra mim foi um choque, foi traumático, não entendia ao certo o que era a morte, mas percebi ser algo terrível até então, se fosse bom haveriam pessoas comemorando e não chorando. Anos mais tarde eu perderia minha avó repentinamente vítima de um infarto fulminante, mãe do meu pai e deste tio a quem me referi, ia embora nossa Santinha. Perdi outros tios e tias, primos, amigos, colegas, vizinhos, conhecidos, pessoas com muito significado pra mim, sempre experiências difíceis, a verdade é que nunca soube lidar com isso, apenas anos mais tarde vim compreender que aquilo era inevitável.

Na foto acima vocês veem uma imagem do mar de Porto Seguro na Bahia e é aqui que quero começar a compartilhar, o que vivi. Em 06 de dezembro de 2014, eu estava de férias e curtindo muito o nascimento do meu filho, naquela ocasião estava com visitas na minha casa, familiares, todos conversando, tomando café, rindo, quando sem esperar recebi um telefonema. Saí para atender e percebi que era minha irmã do outro lado da linha, como um mal súbito ouvi o choro dela que em seguida me disse: "Irmão, perdemos Cris!". Um dos meus irmãos amados havia ido embora num grave acidente de carro, ocorrido em Santa Cruz de Cabrália. Naquele instante em meio ao choro e gritos, perdi o chão e os meus sentidos, desabei. Entrei em estado de choque, não acreditava, não percebia as pessoas a minha volta, me vi numa situação como nunca imaginei antes. Era o LUTO entrando na minha casa, na minha vida, na minha família, era a perda de uma das pessoas que mais amei nessa vida. Eu não lembrei da minha fé, eu não pensei em Jesus, em Deus, em nada, eu fraquejei e vivi intensamente aquela dor. É como se um pedaço de mim tivesse sido arrancado. Instantes depois meu estado se complicou e tiveram que me levar ao pronto socorro com pressão alta, algo que nunca tive, o drama foi completo e intenso, sofrimento, desespero e a sensação de não poder fazer nada.

Amigos, muitas vezes ouvimos de como devemos encarar as mais diversas situações, sendo fortes, tendo de ser corajosos, mas quando a tragédia bate à porta não é tão fácil assim.

Diante de tal situação eu não podia fazer absolutamente nada, a não ser viver aquilo, encarar de alguma maneira.

A primeira parte desta postagem quero destacar o momento em que o LUTO chegou, causando sérios transtornos a mim, a toda minha família. Como é complicado encarar a perda e confesso que admiro as pessoas que têm uma força aparentemente inabalável. 

Meu irmão foi vítima de um assalto num mercado onde levaram seu carro, instantes depois os donos do estabelecimento juntamente com ele travaram uma perseguição contra os ladrões, que culminou no capotamento do carro onde estavam, um Uno. No acidente morreram meu irmão e mais duas pessoas. Não há muito como descrever a sensação de se perder alguém tão amado. Procurava em mim forças, olhava minha esposa, meu filho, tantas pessoas a minha volta e nada me confortava, só pensava na minha na dor e como queria que tudo não passasse de uma terrível mentira, um pesadelo, algo assim, mas era muito real, lamentavelmente. Eu, minha mãe e meu outro irmão, tivemos que comprar passagens às pressas e embarcar para a Bahia no dia seguinte pela manhã, não sei o que se passava em nossa mente, não consigo descrever o que sentíamos. Meu lindo Cris.. meu Dano.. Cristiano, havia nos deixado repentinamente, aos seus 36 anos de idade.

A saudade invadiu nossas vidas, balançou nossas estruturas, nos derreteu em lágrimas.

Saudade, saudade, saudade e mais saudade! E foi assim que começou a minha saga: Do luto à luta... é como escolher morrer ou viver. Fui aos dois extremos em 19 dias, o nascimento do meu filho (tenho certeza que Deus o enviou) e a morte do meu irmão. Passei longos dias perdido em meu luto e sem muita força pra lutar, pensei que não conseguiria...

Acompanhe as próximas postagens!!

Não perca o que tenho a dizer... pare um pouquinho e reflita nestas palavras e acima de tudo, se estiver vivo não desista de viver, assim como eu não desisti, sobretudo, Deus não desistiu de nós.

Te amo daqui até a eternidade meu irmão lindo!


Por: Diego Pinto.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Luto: "Biel voltou para casa, voltou para o céu!"

Novo Logotipo da Igreja do Nazareno - entenda!

Vídeo em homenagem ao meu cunhado Roberto