Diário de Bordo - Visita aos meus avós


Depois de 2 anos e 3 meses tive o privilégio de retornar a minha querida Bahia e quero aqui fazer um breve relato dos vários momentos que emocionaram. Rever meus avós Dona Alaíde e Sr. Domingos, foi um destes, em que procuro até as palavras certas para descrever a alegria de estar ao lado deles. Quando eu vivia na Bahia sempre ia visitá-los e da mesma forma eles me visitavam na minha cidade que era vizinha. Passamos dois dias e duas noites com os nossos velhinhos, vi em seus olhos, nas expressões e nas nossas conversas o quanto estavam felizes por estarmos ali, nós também.

Vovó como sempre muito ativa, fazendo comida, cuidando da casa, zelando do meu avô, a verdade é que nem parece que ela já esteja com 83 anos de idade. Vovó e eu sempre fomos muito amigos, de conversar sobre tudo, agradeço a Deus pela vida da minha Lai amada, as vezes é meio brava, outras horas se derrete, minha avó sempre foi uma mulher forte, de personalidade, de dizer o que pensa, o que sente, a vida inteira nos entendemos muito bem. Sempre a tratei com carinho, com respeito, compreensão e muito amor. Semblante as vezes fechado em fotografias, dona Alaíde atrás das câmeras se revela bem mais leve, uma guerreira, alguém que já sofreu muito na vida, mas que em sua fase de melhor idade creio eu, encontrou a boa forma de viver, ali em paz, num lugarzinho escondido no sul da Bahia, em Almadina. Ama conversar e nos fazer dar risadas, com aquelas tiradas nordestinas, palavreados que só vovó mesmo. 

Já meu avô, o patriarca dos Pinto é o maior exemplo de integridade da nossa família. Vovô sempre levou a vida à moda antiga, conservador, devoto, sincero, verdadeiro, bondoso, forte, destemido, contido. Hoje aos 97 anos de idade continua tudo isso e mais um pouco, puro como uma criança, mais amolecido, emotivo, ri facilmente, mais calado do que o comum, observador e como ele mesmo diz, a sua cabeça é o único problema que o tem acompanhado, afinal, manter uma memória de quase um século não é tarefa fácil. Sempre amei conversar com vovô e é assim até hoje, vejo como ele se esforça para relembrar os fatos e como gosta de contar sua saga desde a saída do Sergipe à ida para Bahia, é emocionante. 

Meus avós tiveram 14 filhos, a última gerada do coração, 40 netos e 51 bisnetos. Poder levar o meu filho para eles conhecerem não teve preço. Ver vovô brincando com seu bisnetinho, sorrindo, fazendo carinho, eram tantos gestos sendo demonstrados, realizei um grande sonho e espero que o Miguel ame a bisa e biso assim como eu. Que compreenda a importância que nossos velhinhos sempre tiveram e têm em nossas vidas. Pensar que eles se encontram em idade tão avançada é as vezes assustador, como o tempo passou. Será que não nos demos conta disso? Acredito que não. Gosto de saborear a comida de vovó, o leite daquela cidade, o pão, o requeijão, os biscoitos, os beijus, o acarajé. Admirar as tantas diferenças que aquela região tem e me divertir com o inusitado.

Quero terminar relatando um momento muito especial, quando vovô olhou para o Miguel e o abençoou, ele disse:

"Que o Senhor te abençoe meu filho e a virgem Maria, que você cresça, seja um homem forte como eu e seu pai. Que você seja muito feliz! Amém Jesus!"

Estas foram as palavras de vovô e apesar de não ser católico, termos crenças diferentes, me emocionei muito, pela forma verdadeira que ele disse e sei que foi de todo o coração.

Se Deus assim permitir e até conversei com nossos velhinhos, em 2018 faremos uma linda festa para celebrar o centenário de vovô, espero que Deus nos permita viver isso, que ele continue gozando de ótima saúde e um pouco que seja de lucidez. 

Aos meus avós a honra de sempre e o meu amor eterno que vai além desta vida.

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