Superação: “A antiga Cláudia morreu no transplante. Quem está aqui é uma nova mulher!”

Foto: Internet

Fonte: Revista TiTiTi

Em meio aos brinquedos do playground do prédio em que mora, no Rio, Cláudia Rodrigues poderia facilmente ser confundida com uma criança. Não apenas pela baixa estatura, mas por esbanjar felicidade. Afinal, a humorista que fez – e faz – o Brasil gargalhar com personagens como a Marinete, da série A Diarista,  da Globo, está pertinho de anunciar que venceu a guerra contra a esclerose múltipla. Em 2000, após sentir um braço dormente, a atriz se descobriu portadora da doença degenerativa que afeta o sistema nervoso central.

Hoje, 16 anos depois, Cláudia, de 44, trava sua batalha final rumo à cura. Em janeiro, ela se submeteu a um tratamento com células-tronco no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. E fez um transplante de medula. Agora, três meses após o procedimento, vive uma rotina bem mais próxima do normal ao lado da amada filha, Isa Hieatt, de 13 anos, da união com Brent Hieatt. “Só não esperem me ver dando estrelinhas (piruetas) ainda”, brinca ela, que usa andador para se locomover com mais facilidade. 

Sempre com extremo bom humor, Cláudia se recupera a toque de caixa. Ela surpreendeu os médicos ao mostrar, em tempo recorde, sinais significativos de que a doença, finalmente, está indo embora. “Pouco tempo depois do transplante, já estava fazendo piada e divertindo os enfermeiros”, relata, orgulhosa de si.

A jornada, no entanto, não foi fácil. Cláudia enfrentou a morte duas vezes – uma durante um surto da doença em 2015, quando precisou ser reanimada – e em uma crise de  depressão. No auge, chegou a pensar em suicídio, a exemplo do irmão, Márcio Rodrigues, falecido em 1991. Mas tudo foi superado, também em nome da fé (veja boxe a seguir). Em breve, para alegria geral, a comediante voltará à TV no humorístico Domésticas, disputado por três emissoras. Antes, em maio, estreará um programa na internet, resgatando antigas personagens, como Sirene (Sai de Baixo), Ofélia e Talia (Zorra Total) e a inédita radialista Sônia. 

E foi no mesmo play que Claudinha, toda serelepe, recebeu nossa reportagem para brindar à nova vida! Muito emocionante!
TITITI – Três meses após o transplante de medula, você já consegue ter uma rotina como a de qualquer outra pessoa?
Cláudia Rodrigues – Levo uma vida praticamente normal. Faço fisioterapia, terapia ocupacional e até ortóptica. Já ouviu falar nisso (risos)? Quando o médico falou que eu precisava me consultar com uma especialista, achei que era por conta da perna. Acontece que, quando tive um surto, um nervo travou e fica puxando um olho para a direita. Como diz a doutora, fiquei com um olho no gato e outro no peixe. Poxa, nem gato eu tinha (risos). Agora faço musculação para os olhos. 

Quais avanços tem percebido?
Antes, sentia cansaço só de acordar. Agora, me sinto bem para fazer tudo! Dou minhas caminhadas, faço minha bicicleta ergométrica. Sabe, não devo ficar paradinha, esperando, porque essas coisas não caem do céu. Então, vou atrás! Só não posso, ainda, me relacionar direito com as pessoas (em situações como a de Cláudia, a imunidade cai demais, levando o paciente a nem sempre conseguir combater vírus e bactérias que podem oferecer riscos gravíssimos).

Por isso ainda está usando máscara?
Não podem chegar nem perto de mim! Se estou em lugar fechado, preciso usar máscara, sim. É chato, mas sou pequena... se alguém espirrar lá em cima, eu aqui embaixo, já viu, né (gargalhadas)? Devo me cuidar. 

"Não tive medo de morrer em momento algum!
 Minha maior preocupação era deixar o hospital logo (risos)."
 
Mas fica difícil resistir a um pedido de abraço de alguém de quem se gosta, não?
Uma coisa que não consigo: dizer não a um fã. Eles me dão “oi” e já abro os braços. A gente só está aqui por causa deles, né? Não admito tratar mal fã. Mas, mesmo eles me ligando, agora não posso atender por conta da radiação do celular. Por enquanto!

E você não burlou esse “esquema de segurança” em momento algum?
De jeito nenhum! Não pode nem encostar em mim! No começo achei que não aconteceria nada, mas quando fiquei hospedada num flat perto do Einstein (como parte do tratamento), abracei uma menina que era fã. À tarde, minha pressão caiu para cinco por três e quase morri. Peguei uma bactéria  comum, que todos temos, mas quem é transplantado não consegue vencê-la. 

Como descobriu o recurso com células- tronco?
A Adri Bonato (amiga e empresária de Cláudia) tem um amigo, e tanto ele quanto o pai sofriam de esclerose. Fizeram o transplante com células-tronco e deu certo. Conversei com o rapaz sobre a técnica e, a princípio, não quis me submeter porque ia ficar careca (risos). Poxa, tinha um cabelo lindo! Mudei de ideia quando liguei para o Reynaldo Gianechinni.
Ele também passou por um transplante de medula, né? E a encorajou?
O Giane disse: “Claudinha, se isso pode curar a esclerose, faça. São 20 dias de sofrimento, depois é vida plena!” Tomei coragem e, no outro dia, fui toda animada conversar com o dr. Charles Peter Tibery, neurologista do Einstein, e ele cortou meu barato (risos). Viu que eu estava melhorando com medicação, não queria arriscar. 

Mesmo assim você insistiu...
Meu outro neurologista, dr. Rodrigo Thomaz, me indicou um especialista em transplante, o dr. Nelson Hamerschlak. Quando bati o olho nele, era idêntico ao meu pai, já falecido. Senti confiança, não deixei ele nem começar a falar e perguntei: ‘Dr. Nelson, quando posso me internar?’ Ele comentou que o único porém era eu perder os cabelos, no entanto poderia usar lenços. Mas decidi ficar careca. Comigo não tem essa de lenço, peruca. Todo mundo sabia que estava fazendo esse procedimento... Na primeira fase do tratamento, tomei uma dose violenta de quimioterapia e, pouco tempo depois, passei a mão e os fios caíram. Falei para trazerem a máquina de vez (risos). Não ia ficar, ‘ah, caiu uma mecha aqui, vou colocar um grampinho para disfarçar ali...’

Teve medo de não segurar a barra?
Não tive medo de morrer em momento algum! Minha maior preocupação era deixar o hospital logo (risos). Verdade! Entreguei nas mãos de Deus! Conversei com ele e pedi: ‘Senhor, se for para ser agora, me leva logo. Não quero sofrer’. Meu pai morreu de câncer e não queria ficar internada, sem saber se ia melhorar ou não.

É possível afirmar que está curada?
Ainda não posso! Em julho, vou fazer uma ressonância, tomar vacinas (as mesmas que se toma na primeira infância) e aí o médico poderá falar: “Ah, agora assim... tá curada!” 

"Digo que existe uma Cláudia antes de Cristo 
e depois de Cristo."

Esses procedimentos costumam ser bem pesados. Passou por muito perrengue durante a internação?
Olha, é difícil mesmo. Mas não tive vômito, diarreia, mal-estar, nada. Assim, quem olhava para mim, via que estava abatida. Mas pensei que iria sofrer mais. A verdade é essa!

Sua recuperação parece estar correndo muito bem. É o que dizem os médicos?
Menino, olha, só, vou até ser estudada (risos)! Foi uma recuperação muito rápida. Bati quase todos os recordes no hospital, meu caso foi excepcional. A cirurgia, que costuma durar meia hora, rolou em sete minutos. Na saída do transplante, minha contagem de células devia mostrar que eu podia produzir 9 mil e passei com 90 mil. Um resultado que era esperado apenas três meses depois. A pega (quando o transplante dá resultado) rolou em nove dias. Sou pequena, mas dou trabalho (gargalhadas).

Assim que receber alta, qual o primeiro desejo a ser realizado?
O que eu mais quero é ir à praia. Sou carioca e foi a primeira coisa que pedi ao médico. Ele liberou, mas para ir de tênis. Aí pensei: ‘Vou para quê, então?’ Passar vontade? De jeito nenhum! Quero pisar na areia, entrar na água. Mas, por enquanto, só em julho.

Lá atrás, incomodava quando as pessoas se aproximavam de você com certa pena por conta de seu estado?
Me irritava quando me viam com pena. Esse papo de “coitadinha, fez tanto o Brasil sorrir” me tirava do sério. Não me vejo como uma vítima da doença. E o pior é que todo mundo tem uma tia que passou por uma coisa parecida, né? (risos) Cheguei a deixar de sair de casa por conta disso. Mas agora as pessoas vêm falar comigo e me chamam de guerreira. Fico feliz! 
Mas então não quer mais falar disso?
Hoje eu abraço a causa, é diferente. Tenho a ideia de fazer uma campanha para ajudar as pessoas que não podem pagar por esse procedimento, que é muito caro. Várias pessoas me procuram, pedindo ajuda, porque não têm condição mesmo. Crianças até. Quero cobrar uma atitude das autoridades. 

Nesse tempo em que ficou internada, conheceu alguém cuja história a tocou profundamente?
Um menino de 6 anos me emocionou muito. Ele tinha leucemia (câncer no sangue) e havia acabado de encontrar um doador de medula. Então ele foi lá, fez quimioterapia, tudo o que é preciso para poder se submeter ao transplante. Uma coisa dolorosa pra caramba. E, na hora da cirurgia, descobriram que o doador havia sumido. O garotinho, à beira da morte, que havia passado por tudo aquilo à toa. Me acabei de chorar. Tentei até ver se eu era compatível, mas não rolou. 

Você passou por momentos muito difíceis, quase desistiu de lutar pela vida. Quando foi que veio a grande virada?
No meio do caminho me entreguei à doença e a depressão tomou conta. As pessoas até tentaram me ajudar, mas quem tinha que querer sair daquilo era eu! Tinha que acreditar em mim para conseguir. E a doença começou a regredir no momento em que falei para mim mesma que queria viver. O cérebro da gente manda muito (risos). Para mim, se acreditar que vou ficar linda, loira e alta, viro uma Xuxa (gargalhadas).

A fé ajudou a enfrentar esse caminho?
Cresci na escola batista, li muito a Bíblia, me encontrei na Igreja Católica. Fiz um tratamento espiritual em Curitiba (PR), a cada 15 dias, com o padre Wilson. Ele é um dos poucos exorcistas no Brasil. Uma coisa bem profunda. Digo que existe uma Cláudia antes de Cristo e depois de Cristo.

"Liguei para o Giane e ele me disse:
 'Claudinha, se isso pode curar a esclerose, faça.
 São 20 dias de sofrimento, depois é vida plena!"

Acredita então que, após passar por tantas provações, é uma nova pessoa?
A antiga Cláudia morreu no transplante. Quem está aqui é uma nova mulher! Aquela Cláudia que falava palavrão, não se importava com as pessoas, dizia o que vinha à cabeça sem pensar e era difícil... essa morreu lá.  Hoje, a que está aqui é uma pessoa ponderada, calma, que tem seus problemas, sim, mas  quer ajudar as pessoas. 

Pretende voltar ao batente logo?
Quero voltar a trabalhar, não importa onde. Seja na TV, na internet. Recebi convites e, em breve, vou voltar à telinha com Domésticas. Não posso dizer a emissora ainda. E, em maio, darei um presente de Dias das Mães: um programa na internet. Será de graça, para todo mundo acompanhar!

E vêm outras novidades por aí?
Vou estrear a peça Teste do Sofá em setembro, nos EUA. E a Adri está escrevendo minha biografia. Ela tem sido uma irmã. Ficou comigo praticamente o tempo todo, 24 horas por dia. Já não aguento mais (risos). Não vejo a hora de ficar boa e dizer tchau (gargalhadas)!

Em uma entrevista, você comentou que a demissão da Globo foi um golpe para você. Ficou ressentimento?
Fui muito mal interpretada! Disse que foi um golpe, porque realmente foi um susto, assim como seria para qualquer pessoa. Estava no melhor momento do tratamento da doença. Na hora, claro, me revoltei, o que é natural. Podia estar fazendo a Ofélia, a Sirene. Até mesmo na bancada do Vídeo Show! Mas dizer que a Globo é horrível? Nada disso! Não tem ressentimento nem mágoa. Só agradecimento. Fico muito feliz que tenham me dado a chance de mostrar meu trabalho. Fiz tantas coisas incríveis lá, como Sai de Baixo e o Zorra.

O seu bom humor ajudou você nessa vitória pela vida?
Não tem jeito, tem que rir de você mesmo! 

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