LAGOINHA 60 ANOS: LOUVANDO A DEUS COM DANÇAS

Grupo de dança [Foto: Arquivo de Ministério]

A dança na igreja cristã, há 20 anos, restringia-se a momentos especiais ou celebrações específicas. Em janeiro de 1998, enquanto as equipes de louvor se preparavam para a gravação ao vivo do primeiro CD congregacional da Lagoinha, Ana Paula Valadão, líder das equipes na época, inovou ao incluir coreografias nas músicas.
Com a gravação do CD Diante do Trono, muita coisa começou a mudar no meio evangélico brasileiro, inclusive, trazendo a linguagem da dança para o louvor e a adoração. A dança passou a fazer parte de igrejas em muitas nações; muitos ministérios nasceram no Brasil e no exterior. Cada nação envolveu-se à sua maneira, levando em consideração o fator cultural, que é muito forte e determinante em relação ao método e também à aceitação da dança na plataforma. Neste contexto, a dança não é vista como o foco, mas o sujeito que ora, adora, guerreia, chora, intercede, profetiza, evangeliza e edifica o Corpo de Cristo por meio da linguagem da dança.
Segundo Isabel Coimbra, precursora da dança na Lagoinha, a plataforma não é um fim, mas apenas ferramenta para anúncio das Boas Novas do Reino, da vida eterna, de cura, de restauração, de libertação e edificação do Corpo de Cristo. Isabel iniciou no mundo da dança no balé clássico. Ainda criança, aprendeu outros estilos e profissionalizou-se na área. Graduou-se em Educação Física, fez dois cursos de especialização, mestrado e doutorado, e sempre focou o tema da dança em seus contextos. Ela conta um pouco da sua experiência com Deus em relação ao seu chamado, que contribuiu piamente para que a Lagoinha criasse um ministério de dança e fosse inspiração para igrejas brasileiras e internacionais.
“Na minha primeira experiência com dança para o Senhor, iniciada durante um culto familiar, pude ouvir nitidamente Sua voz me dizendo: ‘Dance para mim!’. Me lembro de que, apesar de ser uma profissional acostumada a me apresentar para centenas de pessoas, respondi timidamente: ‘Eu, Senhor?’. E Deus novamente repetiu: ‘Dance para mim!’. Abri os meus olhos e, quando percebi que todos ali estavam de olhos fechados, despi-me de todo o constrangimento e me derramei com danças diante da Sua presença. Após esse dia, o Senhor pediu que eu me desligasse da dança profissional e me dedicasse à Sua obra. Chorei, mas obedeci, porque aprendi que melhor é obedecer do que sacrificar (1Sm 15.22.) Deus é tremendo! Não apenas mudou a minha vida, como ainda me deu o privilégio de dedicá-la a Ele; melhor ainda, de louvá-Lo, adorá-Lo com aquilo que eu mais gostava de fazer desde minha infância.”


A implantação da dança enfrentou o desafio do preconceito. “Infelizmente estamos imersos em uma cultura ocidental contaminada por valores e conceitos distorcidos de corpo e humanidade. A dança no Brasil sempre foi associada à sensualidade, sedução e vulgaridade”, comenta Isabel. As técnicas corporais ou os estilos de dança usados devem estar a serviço do Rei. Infelizmente, muitos, numa visão distorcida, trouxeram a dança do mundo para a igreja, o que cristaliza os preconceitos. Mas o início foi também marcado por uma linda visão, um tempo profético em que Deus resgatou o que é Dele para Ele. Não simplesmente a dança em si, mas o Templo do Espírito Santo, com uma visão restaurada de corpo, de humanidade e de adoração. Deus restaurou o Tabernáculo de Davi, e nesse processo os preconceitos mundanos de homem e de corpo foram transformados, e os conceitos de Deus, reinstalados na cultura do crente contemporâneo.

A música e a dança sempre desempenharam um papel importante na cultura hebreia. Segundo a tradição, a música era frequentemente empregada em ocasiões de regozijo, quando era associada à dança (Ex 15.1 e 20, 1Sm 18.6-7, 2Sm 6.14). No Novo Testamento, ainda na mesma perspectiva, há a citação da festa em celebração à volta do filho pródigo (Lc 15.25). Era também um modo de salmodiar e louvar a Deus (Sl 150.4). A dança em nossa igreja é produzida da seguinte forma: “Ouvimos e estudamos muito cada canção com sua cadência rítmica, estilo, harmonia, letra da música e os instrumentos marcantes de cada faixa. Depois partimos para uma oficina de experimentação, de onde extraímos passos e sequências de movimentos que encaixam na estrutura conteúdo-forma. Por último, costuramos essas estruturas e fazemos a limpeza do todo coreografado. Tudo debaixo de jejum e oração”, conta Isabel.
A história da dança na Lagoinha é marcada pelo entendimento de que Deus não Se emociona diante da arte da dança, muito menos com talentos. Deus anseia por vidas restauradas, vasos de honra. “Seja no meu quarto, na minha sala, na Igreja de Jesus Cristo ou no lugar onde Jesus determinar, minha alegria é dançar para honra e glória do Seu nome. A exemplo de Davi (2 Sm 6.14-15), quero adorá-Lo e exaltá-Lo com todas as minhas forças”, finaliza Isabel Coimbra, que hoje é coordenadora do departamento de dança / Programa DNA.
Por meio da dança, muitos milagres já foram colhidos, e vidas são regeneradas a cada dia. Há muitos testemunhos de cura, unidade e integração.

:: RENATA GIORI

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