A mala voltou cheia de saudade!

(Foto tirada por Luciana Pinto Santos - Passarela do Descobrimento - Porto Seguro)

A mala voltou cheia de saudade... é assim que definiria o momento em que reencontrei minha mãe no mês passado, após quase 5 meses sem nos vermos. E o reencontro aconteceu no Aeroporto Internacional de Viracopos, um local marcado para nós nos piores momentos de nossas vidas. Olhei minha mãe empurrando um carrinho de malas e logo reconheci uma em especial que trazia, a mala de viagens da minha irmã. Senti apenas um gelo na barriga, um nó na garganta e um esforço terrível para conter as lágrimas que já insistiam em cair. A todo momento eu pensava:...não era pra ser assim, era ela que deveria estar vindo junto com mamãe e não suas coisas! Me silenciava em meus turbilhões de pensamentos e questionamentos, as vezes silenciar é preciso, mas dentro de nós estamos gritando.

Emoções maiores vieram depois, a começar pelo lindo presente que ganhei do meu irmão e da minha cunhada. Uma almofadinha personalizada com nossas fotos de irmãos, uma caneca, e um dado de fotos, tudo me trás boas lembranças e alegria confundida em meio a dor com a saudade (sim ainda dói muito). Agradeço muito ao meu irmão Juliano e Marcela por terem me presenteado com algo assim, tão especial, tão marcante.

Abrir aquela mala não seria fácil e levei alguns dias para assimilar tudo isso. Ali estavam roupas, os vestidos de formatura, a caixa de joias artesanal que mandei fazer pra minha Lulu, uma blusinha que havíamos dado a ela, lembranças e mais lembranças, ao mesmo tempo uma sensação de estar num sonho, algo irreal.

Passaram-se alguns meses e tenho grande dificuldade de expressar tudo o que sinto, uma saudade que foge de tudo que já imaginei, vivemos isso com a perda de Cris e lutamos juntos todos os dias para de alguma forma superar. Eu gostaria muito de poder dizer que aceitei, que me conformei, mas a verdade é que não. A gente apenas não se entrega a dor, a gente não deixa que dor venha nos vencer, porque aí estaríamos também morrendo. Sinto falta de tudo, uma saudade que não vai, pensamentos que não se desligam. Como não sei lidar com isso opto muitas vezes por não falar, acreditem há momentos que evito de verdade em tocar no assunto. O silêncio por vezes me ajuda. Outras horas tento não pensar. Choro quando não suporto mais.

Minha irmã me deu todos os exemplos e me ensinou tudo o que preciso para ser uma pessoa uma gota parecido com ela. Me deu todo o amor, todo o apoio, toda a amizade, todo o carinho que alguém poderia ter. Batalhou com garra para alcançar, para ter tudo o que conquistou, nada nunca lhe caiu do céu, tudo foi seu suor derramado, sua determinação, porque Lulu é e sempre será isso, uma menina mulher que se confunde com a própria vontade de viver e viver e viver... sempre marcando pessoas, lugares, sua essência está em tudo. Então você suportar a ideia de que alguém assim, tão amada, tão importante, tão necessária, que se tornou a base de uma família já sofrida e a base de tantas amizades, de repente se vai? Ah não é nada fácil. Colocar a cargo do tempo amenizar tamanha dor? Talvez. Eu mudei, sinto isso em tudo o que penso hoje, nas minhas atitudes, no pouco de fé que acho que ainda tenho, mas uma coisa não mudou e não vai mudar, o amor infinito que sinto por meus irmãos, pela minha família, por Deus mesmo me sentindo distante. Sou muito grato a Deus pela minha esposa e pelo meu filho lindo, amado, que é a fonte de toda a nossa força, sem eles eu não suportaria talvez.

A mala voltou cheia de saudade... e ela estará sempre cheia de saudade. Eu sei, tudo um dia vai passar. O milagre somos nós que ficamos já diz a querida Eyshila e eu ainda continuo acreditando que o céu existe e iremos nos reencontrar um dia. Postagens como essas são apenas o desabafo do meu coração, quando já não posso mais contê-lo.

Minha Lulu.. meu Dano... a vocês meu amor eterno, para sempre.

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