ANA PAULA VALADÃO HOMENAGEIA O PAI, PR. MÁRCIO VALADÃO, PELOS 45 ANOS À FRENTE DA LAGOINHA



Viva! Comemoramos 45 anos de ministério do pastor Márcio na Lagoinha! Poderia escrever muitas histórias sobre essas mais de quatro décadas de ministério em nossa igreja. Afinal, há 41 anos faço parte dessa história. Eu sou sua filha primogênita, e, como dizem por aí, nasci e cresci na igreja. Ao pensar sobre o que escrever, decidi compartilhar um pouco dos bastidores do meu pai, nosso pa(i)stor.
Lá em casa a gente já sabe: sábado é o dia do papai ficar concentrado, preparando o sermão de domingo. É claro que, às vezes, principalmente na infância e adolescência, a gente sentia falta de ter o pai passeando no fim de semana. Íamos a um clube com a mamãe, com outras famílias de amiguinhos, passávamos o sábado com os primos na casa das avós, mas o papai não podia estar lá. Acho que o que nos preservou e não nos causou qualquer revolta foi o alto valor que mamãe sempre nos transmitiu sobre a atividade ministerial dele. Ela também é a grande responsável por termos atravessado bem as renúncias que o ministério pastoral exigiu de nossa família.
Fomos submetidos a muitas pressões por sermos taxados não como crianças ou adolescentes como quaisquer outros. Éramos os “filhos do pastor”. Ainda me lembro dele me explicando: “Filha, outros podem ir, mas se você for torna-se um argumento para que digam aos seus pais que tudo está bem, pois ‘até a filha do pastor está aqui!’, e fazem coisas erradas com você como álibi”. Ai, ai! Eu não gostava disso, não. Também me lembro da célebre frase lá em casa: “Sermos uma família pastoral traz privilégios e responsabilidades”. E, assim, acho até que Dedé, Mari e eu fomos preparados para suportar a pressão ainda maior que viria anos depois, quando o Senhor aumentou nossa influência para toda a nação.
Mas voltemos aos bastidores do papai. Ele gosta de acordar cedo. Há anos faz sua caminhada matinal. Seu sorriso o acompanha. Quando a gente era criança, ia muito ao centro da cidade. Ele me levava junto, e a gente tomava caldo de cana e comia pastel. Lembro do papai acenando e sorrindo para todo mundo. Isso continua até hoje, quando vai a um shopping center ou caminha na beira da lagoa. No Brasil fiz questão de ser vizinha dos meus pais, era muito bom, porque quase todo dia papai batia a campainha lá em casa para tomar um copo d’água e abraçar a gente depois da caminhada. Apesar de muito trabalho na igreja, uma coisa que sempre gostei foi a intensidade dele com a gente no lar. Ele inventa musiquinhas e chega em casa cantarolando. Mamãe diz que papai chega, e os assuntos da igreja ficam do lado de fora. Ainda bem, né? Esse deve ser um dos segredos da longevidade dele, senão, nem a saúde, nem a alma, nem a família, e talvez nem a fé aguentaria. Esse carinho dele com a gente dentro de casa ficou ainda mais intenso depois que os netos nasceram. Isaque, meu primogênito, foi o neto que o ensinou a ser avô, como ele mesmo diz sempre que abraça o neto. Eles aproveitam muito o vovô Márcio.
Esse afeto dentro do lar salvou muita coisa na nossa vida. Papai é tão apaixonado pela Obra de Deus que algumas vezes até acho que ele se casou com a igreja e fez dela a sua família. Mas se a gente olhar de perto vai ver que as duas coisas andam de mãos dadas lá em casa. Papai é dedicado à igreja, mas a família continua sendo seu maior tesouro na Terra, como ele mesmo diz. Papai não fala muito (a tagarelice veio toda para mim. Socorro!), mas a gente percebe que a maior alegria dele é a mamãe, meus irmãos e eu, os genros, nora e os netinhos. E, na vida real, quem de nós precisar vai poder contar com ele. Nessa paixão pela Obra do Senhor, todos somos testemunhas de que ele nunca reclamou de ter que ir trabalhar. Faça chuva, faça sol, seja cedo ou tarde, lá vai ele. Na jornada da vida pastoral, tem sido desafiado por traições, decepções, apertos financeiros (da família e da igreja), mas nunca o vimos desanimar. Vou repetir: “Nunca o vimos desanimar”. Uau! Eu já tive minhas crises ministeriais e de fé, com apenas 19 anos de jornada com o Diante do Trono, ou seja, menos da metade da caminhada dele na Lagoinha. Mas o papai tem um mistério. Ainda estou tentando descobrir. Só sei que ele afirma, e sou testemunha, que jamais perdeu o Primeiro Amor (pausa para eu lacrimejar).
Se eu parar e fechar os olhos, ainda consigo ouvir os sons dos gemidos em oração, as línguas do Espírito, a voz abafada pela toalha que ele segura junto ao rosto (talvez para não nos incomodar). Enquanto ora, papai derrama lágrimas e fica de joelhos em seu escritório. Uma vez, por volta dos meus 8 aninhos, Dedé e eu corríamos um atrás do outro pela casa. Quando descemos as escadas e chegamos ao escritório, papai orava. Foi sobrenatural. Ao atravessar a porta fomos arrebatados pelo Espírito Santo e tive visões do Céu. A Mari chamava o escritório de “oskitório”, e a gente curtiu nossa caçulinha e não a corrigia. Até hoje papai diz que vai para o “oskitório” orar (risos).
E os livros? Papai também gosta muito de ler. Está sempre estudando e buscando aprender mais para poder transmitir à igreja. Ele mesmo confessa que não é o melhor pregador, mas é comprometido em ler livros de outros colegas e inspirar-se. Acima de suas limitações está o chamado de Deus em sua vida. É impressionante como papai pode pregar até sobre “um catálogo telefônico”, e, ao fazer o convite para a salvação, haverá vidas chorando e rendendo-se aos pés de Jesus! Isso é impressionante. Será sua voz mansa? Há uns anos, o marido não crente de uma irmã finalmente aceitou ir à igreja com ela. No primeiro culto já foi à frente e aceitou a Cristo. Quando lhe perguntaram o que tocou seu coração, ele respondeu: “É que a voz desse pastor parece a de um padre!” (risos). Deus tem Seus caminhos para alcançar corações. Quer mais uma história interessante? É sobre a conversão de outro homem cuja esposa já era da Lagoinha, e ele não queria sequer nos visitar. Ela convidou papai para ir jantar em sua casa para evangelizar o homem. Ele foi, comeu, conversou bastante, despediu-se, e a irmã deve ter ficado um pouco frustrada porque em nenhum momento papai falou sobre Jesus. O fato é que no domingo lá estava aquele homem, que entregou sua vida a Jesus e tornou-se um dos membros mais queridos da história da nossa igreja (nosso Rabibe Salomão, quase um avô para mim).
Quando olho para a diversidade que existe na Lagoinha e o apoio que meu pai dá a todos os líderes e ministérios sob sua direção, me lembro do seu empreendedorismo. Sabia que desde jovem papai era inovador? Ele herdou a sapataria do meu avô e com apenas 17 anos já tinha ampliado os negócios e estava inaugurando a loja no edifício mais chique da cidade. Ele conta como as portas eram, de vidro jateado, e que a primeira escada rolante estava lá. Foi bem nesse momento que papai participou de uma vigília em um apartamento no IAPI e ali teve seu encontro com Cristo, o batismo com o Espírito Santo e a chamada ministerial. Ele fez um voto ao Senhor de que saberia se era para deixar tudo se não fosse convocado para servir no Exército. E assim foi. Bem jovem, lá se foi o “Marcinho”, depois apelidado de “Davizinho”, rumo ao seminário teológico. Até hoje ele conta, rindo, que tinha aula de música. Desafinado, sabe ler as notas, mas não o peça para solfejar! Foi a única matéria em que o professor teve que lhe dar notas de misericórdia. Nas demais, sempre foi exemplar (com a ajuda da minha tia Ângela, que já me contou que fazia alguns dos trabalhos para ele (risos). Apesar de alterar o tom e cantar como seja confortável para sua voz, papai é o que mais canta lá em casa. Cantarola, cantarola, sem parar. Aquelas músicas antigas brotam no meu coração de tanto que ouvi o papai cantar.
Fico imaginando os desafios de ter assumido Lagoinha tão cedo, com apenas 23 anos. Ele foi eleito por maioria absoluta, pois, enquanto a igreja não tinha um pastor estabelecido, ele pregava, e todos se apegaram a ele. Minha avó Theonila contava que ele, ainda seminarista, ia às reuniões de oração da sociedade de senhoras, e elas amavam. A igreja o escolheu, mas não deve ter sido uma transição fácil. Depois do herói da renovação espiritual, o querido pastor José Rego, veio o pastor Ayrton e o pastor Reuel. Papai conta que nos primeiros 10 anos do seu pastoreio, ia toda semana à casa do pastor Rego orar com ele, pedir conselho, compartilhar a Palavra que ia pregar. Papai teve que amadurecer rápido. A congregação era formada de muita gente mais velha do que ele.
Mamãe conta que o achava “careta”, de cabelo arrumadinho e sapato de bico fino. No fundo, acho que ele se vestia assim para aparentar ser mais velho. Mas não teve jeito. Num domingo desses mamãe disse aos meus avós: “O pastor está olhando pra mim”. E o senhor Gechonias respondeu: “Claro que não, minha filha. O pastor é um homem sério”. Não deu outra. No famoso acampamento de jovens lá na MPC, a moçada denunciou cantando e batendo os talheres nas mesas do refeitório: “O pastor está gamado na Renata! A Renata está gamada no pastor”, e essa cantoria deu certo. Desde 1975, mamãe é a auxiliadora dele, construindo esse ministério desde os bastidores do nosso lar. E é assim que eu encerro minha homenagem. Tenho que me conter, senão esse artigo vira livro, de tantas histórias para contar. Espero que a igreja celebre muito este aniversário ao lembrar-se de que não tem um super-homem à sua frente, mas um homem, um homem de Deus. Parabéns, pa(i)stor Márcio! Que venham muito mais anos e “causos” pra gente contar a esta nova geração.
:: ANA PAULA VALADÃO BESSA



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